Vaginismo: quero, mas não consigo

EroticFeel 26/03/2021

Apesar do acesso que hoje temos à informação e do facto de as questões íntimas terem ultrapassado os limites do quarto, o sexo continua a ser um assunto tabu e a desinformação sexual (ou má informação) ainda é galopante nesta sociedade do século XXI.

Este facto favorece a permanência de muitos mitos e estereótipos sexuais que nos afastam da possibilidade de viver uma sexualidade plena, consciente e satisfatória, e são um terreno perfeito para as dificuldades e disfunções sexuais.

Sem pretender ser exaustivos, neste artigo vamos focar um deles que afecta nem mais nem menos do que entre 10% e 12% da população feminina em idade fértil: o vaginismo.

O que é o vaginismo?

Vaginismo é a contracção involuntária e inconsciente dos músculos que envolvem a vagina (músculos pubococcígeos), impedindo a penetração (bem como um exame ginecológico ou a inserção de um tampão).

Apesar de ser uma dificuldade sexual feminina tão comum, nem sempre acaba por ser tratada profissionalmente, pois há pessoas que conseguem desenvolver uma sexualidade satisfatória na ausência de relações sexuais penetrativas (talvez devêssemos aprender com elas!). Mas é normalmente um problema quando a mulher com vaginismo quer tornar-se mãe. É então que a maioria decide procurar ajuda profissional para ultrapassar esta dificuldade.

O que causa o vaginismo?

As causas do vaginismo podem ser muito variadas, mas geralmente deve-se a uma combinação de causas físicas (cirurgias, alterações hormonais, medicações...) e psicológicas. Estas últimas envolvem sempre uma componente de ansiedade, quer antecipatória (medo de relações sexuais, medo de gravidez, educação sexual repressiva, trauma...) ou ansiedade entendida como medo de dor (se o nosso corpo associa relações sexuais com ela). E esta ansiedade leva a uma contracção involuntária da musculatura pubococcígea e, a partir daí, à impossibilidade de penetração. Isto provoca um círculo vicioso onde o corpo antecipa a dor e, como reflexo, contrai os músculos do pavimento pélvico, contracção que por sua vez gera mais dor, bem como frustração e desânimo, o que pode levar a um problema de desejo, limitando ainda mais a sexualidade das mulheres.

Além disso, não podemos esquecer que a própria ansiedade dificulta, ou pode mesmo boicotar, o processo de excitação, pelo que a lubrificação vaginal será notória pela sua ausência, tornando qualquer tentativa de penetração ainda mais difícil e até dolorosa.

O vaginismo pode ser tratado?

Embora este quadro possa parecer desencorajador, a verdade é que o vaginismo é uma das dificuldades sexuais que normalmente têm melhores resultados terapêuticos, especialmente se se tiver o envolvimento do parceiro. Quando o parceiro é paciente, próximo e cooperante, é muito mais fácil para a terapia alcançar um resultado bem sucedido, da mesma forma que um parceiro impaciente ou que se aproxima da dificuldade como "algo exclusivo dela", pode até boicotar o progresso.

O tratamento do vaginismo dependerá das circunstâncias em que se desenvolver, pelo que é importante fazer uma avaliação prévia das condições subjacentes e da história do problema, para ajustar o tratamento às mesmas.

Uma abordagem multidisciplinar pode ser ideal, combinando tanto ferramentas psicológicas (técnicas de relaxamento, foco sensorial, dessensibilização gradual - incluindo dilatadores -, auto-instruções positivas, reestruturação cognitiva ...), como fisioterapia do pavimento pélvico, para que a paciente seja capaz de reconhecer o estado de contracção-relaxamento dos seus músculos pélvicos, e aprender a gerir a ansiedade e o medo que surgem antes das relações sexuais. E, como dissemos anteriormente, o envolvimento do casal é geralmente crucial para obter resultados eficazes a curto prazo.

Se sentir dor durante a relação sexual ou se for impossível conseguir a penetração, é altura de procurar ajuda profissional. Graças à terapia sexual, será capaz de identificar a origem desta dificuldade e encontrar possíveis soluções.

E não se esqueça: tem o direito de desfrutar da sua intimidade. Não desista de viver uma sexualidade plena, sem limitações e na qual desenvolva todo o seu potencial.

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